Temporada 2021/2022 – o título mundial camuflou um elenco que faltou uma maior identidade rubro-negra

Expectativa alta foram criadas no início dessa temporada quando o clube anunciou nomes que tiveram amplos destaque dentro da Liga Argentina, a manutenção de peças que ajudaram na campanha vitoriosa que ganhou tudo e também a adição de jogadores experientes no garrafão.  Expectativa que só se confirmou com alta regularidade, coletividade e uma identidade muito competitiva durante o Mundial. Fora isso, o que se viu dentro de quadra foram mais baixos do que altos rendimentos e uma inconstância muito grande da maioria das peças do plantel.

O Garrafão Rubro-Negro apresenta uma análise bem crítica do que foi a temporada do basquete do Flamengo

Título Mundial entrou para a história, mas em respeito a todos ele merece ficar numa caixinha a parte numa análise no contexto geral

A análise do GRN começa logo com o ápice do que foi a temporada, primeiramente como uma forma de respeitar um momento único do elenco em quadra. Dias no Egito que transpareceram a todos que assistiam os conteúdos feitos no Cairo que os egos, vaidades e qualquer ruido que possa estar acontecendo foram deixados de lados numa caixinha e o time mostrou sim que quando direcionava o seu foco apenas no que estava programado poderia ser competitivo como foi nos dois jogos. A se destacar a ótima participação de Olivinha e Luke Martinez nesse torneio.

Entraram para a história de forma positiva e isso ninguém jamais apagará o que fizeram lá. Independente do momento do San Pablo Burgos, que é um time europeu, se o resultado fosse adverso o tamanho da felicidade seria o inverso e seria totalmente compreensível pela cobrança que existe dentro do Flamengo.

Agora os parênteses precisam ser feitos, título Mundial era o foco e foi conquistado. Mas para o planejamento, orçamento que o Flamengo sempre tem na temporada, não é muito pouco pensando nas pretensões que sempre são traçadas? Acreditamos que sim.

Norte-americanos nem de longe lembraram o impacto ofensivo que tiveram na Argentina

Brandon Robinson e Dar Tucker tiveram sim um impacto importante na Liga Argentina com as camisas do Quimsa e do San Lorenzo. Fato. Mas o que os dois renderam no Flamengo ficou muito aquém do que apresentaram nas quadras argentinas.  Podem ter o argumento que na Argentina eles tinham um volume de jogo voltado para eles em quadra e que o sistema de jogo do técnico Gustavo De Conti não favorecia ao jogo da dupla.  Argumento pode ser até considerado válido, mas fato é que mesmo com um sistema diferente, os dois tiveram enorme dificuldade em se adaptar à nova filosofia.

Dar Tucker teve bons momentos nos playoffs do NBB contra o Minas e o Paulistano. E lapsos de bom momento durante a fase de classificação da BCLA e do NBB, mas novamente reafirmamos que foi muito longe do MVP de San Lorenzo em temporadas anteriores.

Brandon Robinson teve um bom começo de temporada pelo Flamengo, mas não demorou muito pra oscilar no seu rendimento e não ter o impacto esperado. Teve o período que foi afastado pelo clube, não vamos voltar ao tema já que foi fato superado pelas partes, mas a sua reintegração a partir do segundo jogo das quartas de final contra o Paulistano, deixou evidente pra quem acompanha o basquete que o Flamengo sentiu a falta de um poder de finalização em quadra. Ou seja, a necessidade de aparar parte das arestas, e tentar salvar a temporada e buscar a vaga na Champions League Américas da próxima temporada.

Brandon teve boa pontuação em alguns jogos do playoff, mas nenhum número muito semelhante que teve nessa mesma fase de campeonato na Argentina com a camisa do Quimsa. E sendo coerente tanto Brandon Robinson e Dar Tucker tiveram uma final pra lá de apagada diante de Franca.

Luke Martinez – um jogador clássico defensivamente, bom aproveitamento nos três pontos e que teve uma temporada irregular

Luke Martinez foi MVP da conquista do Mundial e com ótima atuação tanto ofensivamente e defensivamente no Cairo.  E a expectativa que ele passaria a ser dominante na rotação ofensiva e passasse a ter uma regularidade maior no rubro-negro na sequência da temporada. Fato que não ocorreu. Sendo justo e reconhecendo a função defensiva que ele exerceu bem em vários jogos, Luke não conseguiu ser eficiente no ataque em alguns jogos que o time mais precisava.

Nas quartas de final da BCLA contra o Minas, o mexicano saiu zerado de quadra. Na final contra Franca pelo NBB, Luke só conseguiu render o que pode no primeiro jogo, nos demais teve uma atuação muito discreta.

Diante desse cenário apresentado fica a pergunta se no contexto geral de uma temporada longa, o custo benefício no geral de Luke Martinez é válido a sua manutenção ou dependeria de quem seria o seu companheiro de posição dentro de um novo elenco? Fica a pergunta!

Franco Balbi e Yago foram os carregadores de piano do elenco em boa parte da temporada

Yago pelos números em quadra foi o jogador mais regular ofensivamente do Flamengo na temporada seja no aspecto de pontos e assistências em quadra. E como todo o jogador é normal ter a curva de ápice da temporada num determinado momento e seu declínio que todo jogador sofre em outro momento da temporada. E para o azar do rubro-negro, Yago não conseguiu ser muito efetivo nos pontos na final do NBB.

Balbi após o retorno de lesão grave mostrou ótimos momentos seja na leitura de jogo com as assistências e poder de finalização em jogos importantes do time como os jogos diante do Paulistano e o próprio Minas pelo NBB. E uma ótima atuação contra Franca no jogo 3 da final.

Com uma boa pré-temporada fica a expectativa que essa dupla talvez ainda tenha lenha a queimar e poderia ser útil dentro de um novo elenco.

Olivinha com um papel de liderança importante dentro do elenco

Foi a segunda pior temporada em pontos de Olivinha desde que retornou ao clube em 2013, mas vale ressaltar o papel de liderança que ele exerceu perante o elenco e foi um dos nomes principais do time rubro-negro não ter tomado a varrida de Franca na final.  Num novo elenco que se projeta mais rejuvenescido, a experiência de Olivinha pode ser fundamental na construção da identidade de uma equipe vitoriosa e competitiva dentro de quadra.

Rafael Mineiro é sobrecarregado demais pelo novo sistema, mas buscou corresponder da melhor forma possível

Fato que o Flamengo não teve um ala no elenco de muito impacto e constância ofensiva em praticamente toda a temporada, Rafael Mineiro foi colocado nessa nova função e tentou fazer o seu melhor papel dentro de um novo sistema. E teve uma atuação correta e continuou tendo um papel defensivo muito importante dentro da disposição tática do time em quadra.

Mineiro em alguns jogos na temporada foi ala, ala-pivô, pivô, tendo se desdobrar como poderia em busca de trazer um equilíbrio tático a equipe e como humano que é seria evidente que ficaria sobrecarregado e teria um desgaste físico como teve pro final da temporada. Nunca faltou vontade pela parte dele em quadra, mas a estrutura de elenco que estava disposta prejudicou um rendimento dele que poderia ser ainda melhor.

Pensando no contexto de sistema defensivo e pela evolução técnica que já comprovou, fica a expectativa pela continuidade dele no elenco na próxima temporada.

JP Batista e Faverani – tentaram ser regulares, mas o sistema de jogo também minou a potencialidade dos dois terem mais confiança no seu melhor fundamento

O conceito do basquete moderno tem um apelo muito grande para que os pivôs tenham o potencial e aproveitamento nos chutes de três pontos. O Flamengo fez uma aposta alta em pivôs experientes que tiveram que se adaptar o seu jogo, técnica e passarem a ter um arremesso de três também como fundamento nas partidas. Isso foi um aspecto treinado a exaustão pelos dois nos treinamentos.

Mas o fato é que esse fundamento nos três pontos nunca foi uma virtude principal dos dois em quadra em temporadas anteriores, mas como profissionais que são, tentaram fazer a sua parte. Sendo que as jogadas no garrafão sempre foram os seus pontos fortes.

E com uma oscilação grande nos jogos pela essa variação e evolução ofensiva buscada, os dois sofreram demais no aspecto da confiança nos arremessos e principalmente tiveram que lidar que em alguns jogos nem tiveram chances de entrar em quadra por uma opção técnica do treinador. Basquete também se passa muito pela confiança e a continuidade num esquema, jogadores, quando você passa a mudar demais ou não relacionar muito para determinado jogo, é fato que você mina a confiança de um jogador do seu elenco e isso ficará evidente nos números como ocorreu nessa posição 5 dentro do Flamengo em toda a temporada.

Nem sempre dá pra acertar – Gustavo De Conti não teve uma das temporadas mais felizes no comando do Flamengo

Novamente frisando e deixando o Mundial a parte, a coletividade e a quantidade de jogos convincentes do Flamengo na temporada demonstraram que a montagem do elenco do Flamengo nessa temporada que se encerrou poderia ser melhor e as apostas que foram feitas, algumas se mostraram equivocadas.  E a montagem do elenco como a construção do seu sistema passa muito pelo que o técnico Gustavo De Conti desenha e planeja. E nessa temporada, o resultado esperado poderia ter sido muito melhor.

Comparado aos elencos da temporada 2018/2019, 2019/2020, 2020/2021, o elenco dessa temporada que acabou recentemente foi que teve menos atuações sólidas coletivamente, e fica a expectativa sobre a montagem do novo elenco e como o Gustavo De Conti pode dar uma resposta positiva como já demonstrou em outros anos de se reinventar e ter de fato elenco mais sólido como time que lhe agrade como treinador e que principalmente possa resgatar um orgulho ainda maior por parte do seu torcedor.

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