A valorização da história rubro-negra – Garrafão Rubro-Negro entrevista os autores do livro “Me arrebata”

A história do Flamengo como um todo sempre foi marcada por grandes vitórias, títulos, grandes jogadores e técnicos que ajudaram a enriquecer toda a sua trajetória seja em qual modalidade o clube estivesse disputando. E uma das obras recentes na literatura que buscou resgatar e valorizar essa trajetória do clube foi o livro “Me arrebata” de Mauricio Neves e Renato Dalmaso. O Garrafão Rubro-Negro conversou com exclusividade com os autores do livro que falaram como foi todo o processo de criação dessa obra que para muitos torcedores é uma das melhores lançadas nos últimos anos.

Entrevista – Mauricio Neves e Renato Dalmaso

Mauricio Neves

1 – Primeiramente, Mauricio como surgiu esse seu amor pelo Flamengo? Foi algo de família? Tu se lembra do primeiro contato ou jogo que foi do time rubro-negro presencialmente?

“O Flamengo entrou na minha vida quando nasci, em 1973. Meu pai é médico pediatra, e quando eu nasci ele cobriu a incubadora onde fiquei, eis que nasci prematuro, com a bandeira do Flamengo. Não tenho lembrança de nenhuma época da minha vida sem o Flamengo. Como nasci, cresci e vivo em Lages, SC, ver o Flamengo ao vivo foi algo que demorou. Meu primeiro jogo foi a semifinal do campeonato brasileiro de 1983, em Curitiba, quando a derrota de 2×0 frente ao Atlético Paranaense classificou-nos para a decisão. Já a minha primeira vez no basquete foi em 1985, com o time que tinha Nilo, Marquinho, Carioquinha, Marcelo Vido e Almir – um timaço.”

2-  Como surgiu a ideia do livro “Me Arrebata” e como foi bater o martelo que a história do clube nesse livro seria contado em forma de aquarela?

“Sou apaixonado por HQ. Quando criança, eu via no acervo do meu pai uma revista do Zico que tinha umas páginas em quadrinhos. Eu adorava aquela revista, e ficava torcendo para um dia alguém fazer a história rubro-negra e HQ. O dia em que decidi que eu mesmo faria isso foi bem simbólico: 25 de maio de 2001, tricampeonato com o gol do Pet. Naquela noite,emocionado com o modo como havia acontecido a conquista, decidi que ia começar a esboçar um roteiro. É um trabalho que já passa de 20 anos, portanto.”

3 – Falando da parte do livro que fala sobre o basquete. O que foi mais desafiador no processo de pesquisa para resgatar essa história do esporte da bola laranja no Flamengo?

“Naturalmente havia menos notícias sobre o basquete. O desafio foi fazer um pente fino nas publicações, que só passam a dar maior destaque ao basquetebol rubro-negro com o tetracampeonato na década de 1930. Reconstituir o ambiente foi bem trabalhoso, mas estou muito satisfeito com o resultado que o Renato alcançou. “

4- Queria que você falasse como foi a sensação de ver o livro saindo do projeto e virando uma realidade? Quem você gostaria de agradecer nesse momento que contribuiu para o livro de fato acontecer? E como os torcedores poderão fazer para adquirir o livro?

“A sensação é de alívio e felicidade. Alívio, porque em alguns momentos cheguei a temer que o trabalho nunca viesse a público, porque o mercado editorial no Brasil é bem complicado. E a felicidade começou quando o Ruy Castro, ao ver os originais, disse que o Me Arrebata é o melhor gibi que ele leu, e seguiu com as reações emocionadas de quem ia lendo o livro. Quero registrar meu agradecimento ao Renato, por ter abraçado o projeto quando ainda não tínhamos nada tratado com nenhuma editora, e ao Marco Piovan e a todos da Onze Cultural, que deram um tratamento luxuoso à publicação.”

5 –  Já passou pela cabeça de vocês ultimamente de fazer um livro somente voltado a história centenária do basquete do Flamengo? E ela nos mesmos moldes sendo contada em aquarela?

“Livro sobre a história do basquete é uma necessidade. Minha maior esperança é o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Celso, da Fla-Estatística. Mas me parece que é mais adequado primeiro pensar em um livro com as fichas técnicas, e só depois em outras abordagens. Mesmo no caso do Me Arrebata, ele só é possível graças às publicações anteriores de gente como Roberto Assaf, Marcelo Abinader, Arturo e Celso do Fla-Estatística, e a pesquisadores e colecionadores como Bruno Lucena (in memorian), Eduardo Vinicius de Souza, Paulo Tinoco, Emmanuel do Valle e outros.”

Renato Dalmaso

1-Você já havia ilustrado a história do São Paulo, seu time decoração. Como foi essa experiência de mergulhar na história de um time que não é o seu?

“Apesar de ser são-Paulino desde criança, sempre gostei e me interessei por outras equipes, colecionava as figurinhas dos álbuns do Campeonato Brasileiro, onde tomava contato com times diferentes, lia de vez em quando a revista Placar ou a Gazeta Esportiva, onde acompanhava as notícias de todos os times, brincava que era jogador desta ou daquela equipe, então, desde moleque, aprendi a sempre respeitar todos os times. O Flamengo tem as cores parecidas com a do São Paulo, o uniforme 2 é quase idêntico, então sempre tive um apreço pelo Mengão. Com esse convite para ilustrar a HQ, tendo contato com essa história tão rica e maravilhosa, posso dizer que hoje, no Rio, considero-me Flamenguista. Mas independente de qualquer paixão, sou profissional e quando contratado para algum trabalho, sempre tento fazer meu melhor.”

2-  Como surgiu a ideia do livro “Me Arrebata” e como foi pra você saber que você seria o principal responsável por traduzir a história riquíssima do Flamengo em aquarela?

“Na verdade a ideia é do Maurício, que me fez o convite após conhecer meu trabalho na HQ do São Paulo. Eu gostei da ideia e decidi embarcar junto com ele nesse projeto. Quando se trata de traduzir a história de um clube gigante como o Flamengo, é sempre uma responsabilidade enorme, há que se ter um cuidado muito grande com a parte histórica, na qual o Maurício, que é um grande conhecedor da história do clube, tem sido uma ajuda constante. Além disso, é preciso um respeito enorme à instituição e à sua torcida. Espero que nosso trabalho tenha sido satisfatório nesse sentido.”

3 – Falando da parte do livro que fala sobre o basquete. O que foi mais desafiador no processo dos desenhos sobre a história do basquete rubro-negro?

“Acho que o maior desafio, no caso do basquete e que é o mesmo do futebol também, são os primórdios do esporte no Brasil, as imagens de referência são muito escassas e com uma qualidade ruim, portanto é necessário que o ilustrador utilize uma boa dose de imaginação para complementar as informações que faltam em uma imagem, por exemplo, como era o piso da quadra, qual a cor disso ou daquilo, como era o ginásio da época, etc., acredito que a arte vá evoluir para os próximos números, conforme vamos avançando no tempo da história e eu tenha referências visuais com maior detalhamento.”

4- Para encerrar queria que você falasse como foi a sensação de ver o livro saindo do projeto e virando uma realidade? Quem você gostaria de agradecer nesse momento que contribuiu para o livro de fato acontecer?

“Estou muito feliz com o lançamento do livro e com a boa receptividade que ele vem tendo. Quem recebeu ficou muito feliz com o trabalho e isso me dá uma ponta de orgulho e até um pouco de alívio, como a maioria dos artistas, fico um pouco inseguro antes de um lançamento. Gostaria de agradecer ao Maurício Neves, que me manda o roteiro bem mastigado e cheio de referências e ao Marco, editor da Onze Cultural por acreditar no meu trabalho. E também agradecer a todos que compraram o livro, viver de arte no Brasil é complicado, portanto quem está adquirindo o livro, não faz ideia do bem que faz ao mercado editorial e aos autores.”

O livro “Me Arrebata” está à venda nas principais lojas online do Brasil.

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