Marcado na história – Gegê fala da sua aposentadoria e relembra momentos marcantes no Flamengo

“Vesti o manto ao nascer, me acostumei a vencer, minha melhor herança, é esse amor por você” –  uma das músicas cantadas pela nação rubro-negra na arquibancada pode servir para ilustrar o que foi a trajetória do armador Gegê com a camisa do Flamengo dentro das quadras. Raça, doação, vitórias e glórias com o manto sagrado. Recentemente, Gegê anunciou a sua aposentadoria das quadras e em entrevista exclusiva ao Garrafão Rubro-Negro falou o que levou a tomar essa decisão, lembranças da sua passagem pelo Flamengo, agradecimento a nação e o que espera do seu futuro profissional nesse momento.

Gegê fez parte do elenco do Flamengo que conquistou a primeira edição da LDB, antiga LDO. (Flamengo)

Uma entrevista com um Gegê sem amarras e falando todo o seu lado de torcedor do Flamengo e relembrando grandes momentos da sua carreira.

Entrevista – Gegê

Primeiramente, Gegê obrigado pela oportunidade de realizarmos essa entrevista com você. Como foi pra você tomar essa decisão de uma aposentadoria das quadras sendo você um atleta ainda tão jovem e com números bem relevantes nas últimas edições do NBB? O que pesou mais para você tomar essa decisão? A falta de uma oportunidade nos times que aspiram os principais títulos nacionais teve alguma influência nessa decisão?

“Foi uma decisão bastante pensada. Não é uma decisão fácil de se aposentar principalmente uma pessoa como eu que sou movido a desafios, a estar ali no dia a dia, viver de fato o esporte. Foi bem pensada e foi a coisa certa a se fazer. Termino jovem sim, mas por cima, como tu mencionou. Satisfeito demais com a minha carreira e com a minha trajetória, com todas as minhas conquistas, todos os meus prêmios, com as todas as classificações dos times que eu consegui ajudar tanto para playoff e competições internacionais. Graças a Deus minha carreira foi bastante vitoriosa e me orgulho muito disso. O que mais pesou nessa minha decisão foi a minha família, o bem-estar da minha família, as oportunidades que apareceram para a minha família. Esse momento pós pandemia deixou claro que a carreira nossa de atleta é muito instável, então uma coisa foi relacionada a outra. E de quatro anos para cá o que mais me importa são meus filhos. Então o que for melhor para eles, sempre será a minha decisão. No momento a minha decisão foi essa. Sobre a minha carreira eu tenho muito orgulho, eu termino satisfeito e feliz. E não foi por falta de oportunidades de alguma equipe que encerro a minha carreira, essa decisão foi tomada como eu falei pensando no bem-estar da minha família. Nos times que eu passei sempre deixei títulos, a única temporada que eu não consegui fazer isso foi a ultima agora, mas conseguimos classificar o time para uma competição internacional e a sua melhor colocação em uma fase regular do NBB. Isso era um dos meus objetivos nesse clube e foi alcançado.”

Na sua passagem pelo Flamengo, você conquistou praticamente tudo em quadra. Se você tivesse que agradecer as pessoas do clube e jogadores que engrandeceram a sua passagem pelo clube, quem você destacaria?

“Foram quatro anos mágicos. E conquistei tudo defendendo o time do meu coração. E nunca escondi para ninguém que o Flamengo é o time do meu coração. Sempre deixei isso claro. Foi sempre um prazer. E se tivesse que agradecer algumas pessoas, tem muitas pessoas que eu teria que agradecer, que me ajudaram e incentivaram na minha passagem pelo clube.  São muitos nomes e acabo correndo o risco de esquecer algum. Acho injusto citar todo mundo. Mas irei citar um que irá representar todos os meus companheiros, diretores e comissões técnicas. Essa pessoa é o Marcelinho Machado que pra mim é o maior jogador da história do Flamengo e virou um grande amigo pessoal, um irmão, que frequenta a minha casa, faz parte da minha família, meu agradecimento especial seria para ele que vai representar todos os demais que convivi no clube.”

A torcida sempre teve um carinho muito grande em toda a sua passagem pelo Flamengo e até quando você se tornou adversário do time rubro-negro em quadra. Como tu descreveria esse carinho que você recebeu da nação durante todo esse período que você foi jogador dentro das quadras?

“Minha relação com a nação rubro-negra sempre foi algo mágico. Primeiro e repito que nunca escondi de ninguém meu amor pelo Flamengo. Meu time do coração. Sou torcedor de arquibancada. Muitos que já conviviam comigo na arquibancada quando me viram na quadra tinham a certeza que eu era mais um deles representando e jogando. Eu ia dar a minha vida pelo Flamengo e foi o que eu fiz. Tenho um carinho muito grande por todos os torcedores, as torcidas organizadas. Eles têm um respeito muito grande pela minha pessoa. E isso mexe muito comigo. Essa relação era tão próxima, respeitosa e de admiração mesmo depois que eu saí, virando adversário, eles sempre demonstraram ainda o mesmo carinho. Eles sempre falavam comigo antes e após os jogos. Essa é uma relação que nunca vai acabar. É como aquela música, os anos passam, se passam jogadores, mas fica tu, Flamengo, e eu pra sempre vou te amar. Não tem jeito. Só tenho a agradecer a nação rubro-negra.”

Uma final marcante contra o Pinheiros na Liga das Américas no Maracanãzinho. (FIBA)

Se tivesse que fazer um top 3 dos seus jogos mais marcantes com a camisa do Flamengo. Você destacaria quais jogos?

“Sobre o top 3 dos jogos é a pergunta mais difícil que você está me fazendo. Como posso fazer um top 3 de jogos marcante se só no Flamengo jogos decisivos que valeram título foram 12.  Quatro NBBs, 4 Estaduais, 1 Liga das Américas, 1 Mundial e 2 LDBs. Só títulos marcantes foram esses 12. Mas vamos lá. A final do Mundial foi um dia ímpar. Ficou marcado no coração de todo rubro-negro. E tem aquela música né e agora seu povo pede o mundo de novo. E a gente pode trazer o mundo de novo para os rubro-negros. Chegaram a comparar o nosso time dessa temporada com aquela máquina do futebol em 81. Todo mundo fala bem da gente e faz essa menção honrosa. Quando citam e fazem a comparação com esse time do futebol é algo que nunca passaria pela minha cabeça fazer parte disso.  É um jogo que merece ficar guardado na história. Outro jogo marcante foi a Liga das Américas no Maracanãzinho, a torcida lotando o Maracanãzinho, vivemos um clima de Maracanã, e eu sou acostumado a arquibancada, o clima que estava o ginásio, a atmosfera que estava no ginásio, foi algo bem diferente, muito grandioso. É um jogo que merece ficar marcado. Outra final marcante foi a final do NBB contra o Bauru, em Marília, a torcida do Flamengo chegou atrasada, tiveram alguns problemas na estrada, e quando eles entraram no ginásio foi algo de louco. Repito, a gente que é torcedor sabemos os perrengues que a gente passa e o quanto o nosso apoio da arquibancada pode acabar por mudar um jogo. Nesse dia foi algo desse nível. Eles chegaram, já cantando alto e parecia que só tinha flamenguista dentro do ginásio. Estavamos em menor número, mas foi algo muito marcante para mim. E tenho que citar mais um, que foi especial pro Gegê, que foi o Flamengo e Brasília, foi um dos melhores jogos meus pelo Flamengo e foi o jogo mil do NBB.  Tinha toda uma história por trás e foi um jogo que eu fui super bem, me marcou muito pois foi o meu primeiro ano meu pelo Flamengo e o inicio daquela jornada super vitoriosa.”

Os 4 jogos marcantes citados pelo Gegê

Para encerrar, Gegê essa despedida do basquete é definitiva ou podemos esperar você em breve novamente no basquete em outra função como técnico ou até em quadra novamente atuando na modalidade 3 x 3?

“As despedidas são sempre difíceis e sempre tem algumas pessoas que torcem pelo nosso retorno.  Mas eu estou muito feliz com a decisão que tomei. As oportunidades tem aparecido, posso garantir que eu estarei por perto no que se refere ao esporte. O esporte com certeza nunca irá sair da minha vida.  E para mim é muito cedo para eu falar que eu quero exercer uma outra função. Tem bastante coisa acontecendo e eu prefiro seguir quietinho, fazendo o que deve ser feito e em breve as coisas irão ocorrer naturalmente. Todos estarão sabendo. Hoje eu não me vejo voltando a jogar e nem participando da modalidade 3 x 3, nem sendo técnico, mas não sabemos o dia de amanhã. Então nunca diga nunca. Estou muito feliz da trajetória da minha carreira e reafirmo que foi uma decisão super pensada.”

No encerramento da entrevista, Gegê deixou uma confissão sobre o que irá sentir falta nesse pós aposentadoria.

“Uh pula aê, o Gegê é Urubuzada.”

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