Dia Internacional da mulher – o nosso respeito sempre a todas vocês

Um dia que é tão simbólico para todas as mulheres em todo o mundo e a reflexão sobre o que esse dia representa se torna cada vez mais necessária, ainda mais que elas acabam sendo ainda vítimas de todo qualquer preconceito e na qual mereceriam de fato era o respeito de todos nós. O Garrafão Rubro-Negro apresenta essa matéria especial abrindo espaço para elas falarem e faz desde já faz um pedido de desculpas a todas por não ter aberto esse espaço anteriormente dessa forma.

Acreditamos que contar a verdade das suas trajetórias profissionais, a forma que elas sofreram algum tipo de preconceito e um incentivo delas a futuras gerações , isso tudo pode encorajar a novas mulheres a ocuparem lugares importantes tanto na comunicação, no esporte e em toda a sociedade.

O Garrafão Rubro-Negro se orgulha da confiança de contar com essas mulheres fortes que se demonstraram motivadas a partilharem um pouco das suas histórias pessoais com todos vocês. A todas vocês os nossos parabéns pela data que é celebrada hoje. E acreditem o que vocês fizeram iram ajudar a jovens mulheres a escreverem novas histórias de vida.

O objetivo do Garrafão Rubro-Negro com essa matéria é propor uma reflexão não somente do papel da mulher no esporte, na comunicação é algo que transcende e é muito maior que isso. Leia cada depoimento dessa matéria e certamente algumas de vocês, mulheres, irão se espelhar em situações semelhantes que já possam ter sofrido e poderão encontrar força para dar continuidade na busca dos seus sonhos sejam eles pessoais e profissionais. E a nós, homens, fica a reflexão o quanto nossas atitudes em certos momentos podem ser de fato ofensivas e preconceituosas contra todas elas.

Depoimentos

Helena Petry – assessora de comunicação e do basquete do Flamengo

Primeiramente como foi sua trajetória inicial dentro do jornalismo esportivo? E como surgiu a oportunidade de trabalhar na comunicação do Flamengo?

“Eu sempre quis trabalhar com esporte, joguei vôlei dos 10 aos 24 anos e queria continuar nesse ambiente. Entrei na faculdade de comunicação na PUC com isso em mente e conciliei a vida de estudante com a de atleta o quanto pude. Como jogava pelo Flamengo, o gerente de vôlei do clube na época me chamou para um estágio na assessoria em 2010. Em 2011, passei em um concurso chamado “Jovens Escritores para Jovens Jogadores”, da FIVB, e cobri o Mundial Juvenil de Vôlei Masculino para a federação internacional. Fiz um MBA também na PUC em Gestão de Entretenimento e Marketing Esportivo e parei de jogar quando comecei a trabalhar como gerente de zona mista do Maracanãzinho na Rio 2016. Em 2017, entrei em contato com a minha ex-chefe da época de estagiária no Flamengo, que encaminhou meu currículo e, depois de algumas entrevistas, fui selecionada pra voltar para o clube nessa nova função.”

Mulheres dentro do jornalismo esportivo ainda são vítimas de preconceito e até assédio, você em algum momento sofreu algum tipo de preconceito quando estava trabalhando e como lidou com esse cenário caso ele tenha ocorrido?

“Acho que deve ser bem difícil encontrar uma mulher que nunca tenha sofrido algo do tipo em qualquer área de atuação, não apenas no jornalismo esportivo. Mas realmente, o esporte ainda é um meio dominado por homens e, por isso, acredito que sejam mais constantes os casos. Acho que a forma de lidar com o preconceito depende da situação em que ele se faz presente, mas sempre continuo fazendo meu trabalho, apoiando e sendo apoiada por outras mulheres, além de homens que estão ao nosso lado nessa luta contra o machismo e a misoginia.”

Muitas jovens mulheres estão na faculdade de jornalismo e sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. Qual mensagem você deixaria para encorajar essas mulheres a de fato fazerem parte dessa área dentro do jornalismo?

“Aquela mensagem clichê, mas todo clichê tem um motivo: não desistam dos sonhos. Acredito que com mais mulheres ocupando espaços no esporte, o meio se tornará mais justo e representativo. Tenham a coragem de seguir o caminho que querem, não abaixem a cabeça e valorizem e apoiem outras mulheres.”

Helena Petry na cobertura do basquete do Flamengo durante a pandemia da Covid-19.

Giovanna Terezzino – repórter do NBB

Primeiramente como foi sua trajetória inicial dentro do jornalismo esportivo? E como surgiu a oportunidade de trabalhar como repórter no NBB?

“Sempre estive no meio esportivo. Pratico esportes desde criança, fui uma adolescente bem ativa e venho de uma família apaixonada por futebol, ou seja, a TV/rádio estavam sempre ligados na casa dos meus pais ou na casa dos meus avós. Quando entrei na faculdade de jornalismo já sabia que queria ir pro esporte. Meu primeiro trabalho foi no segundo ano da faculdade, numa assessoria de imprensa. Dentre todos os clientes, tinha o UFC. Ter contato com os atletas, com a organização dos eventos de pesagem, as lutas e fizeram com que eu percebesse que realmente gostava desse ambiente e estava no caminho certo. Quando vi a publicação da LNB sobre vaga de estágio não pensei duas vezes e mandei o currículo. Participei de todos os processos, passei e comecei a entender o universo do basquete. Fiquei um ano atuando nas redes sociais e escrevendo matérias para o site, até pedir demissão no último ano de faculdade para focar no TCC. Assim que me formei, recebi uma ligação da LNB perguntando se eu gostaria de ser repórter (eles sabiam que eu não tinha experiência, mas lembraram de poucos comentários soltos que fiz em almoços e conversas e despretensiosas sobre a vontade de atuar frente às câmeras). Achei incrível o fato de terem guardado isso e aceitei o convite. O resto da história quem acompanha o NBB já sabe.”

Mulheres dentro do jornalismo esportivo ainda são vítimas de preconceito e até assédio, ainda mais por meio das redes sociais, você em algum momento sofreu algum tipo de preconceito quando estava trabalhando e como lidou com esse cenário caso ele tenha ocorrido?

“Infelizmente acredito que toda mulher tem uma história de preconceito ou assédio para contar. Dentro ou fora do esporte. Mas sinto que muitos ainda duvidam da capacidade feminina de atuar no ambiente esportivo. Eu nunca sofri nenhum assédio escancarado e sei que tenho sorte por isso. Acredito que o respaldo que a LNB sempre me deu e a própria atitude que coloco em quadra mostrando o máximo de profissionalismo que consigo me ajudaram ao longo desses anos. Mas sim, já senti alguns preconceitos… já li comentários chatos nas redes sociais por conta de um errinho (que corrigi 10 segundos depois) “aquela mulherzinha que só grita e não sabe nada… só está lá porque tem rostinho bonito”, já tive que lidar com respostas atravessadas e grossas de pessoas do meio mesmo (duvido que falariam desse jeito se fosse um repórter homem), mas enfim… nunca deixei nada disso me abater, nunca respondi ninguém a altura (por mais que quisesse rs). Gosto de ser profissional/educada e acho que devolver na mesma moeda não resolve nada, você se torna tão idiota quanto). Apenas sigo fazendo meu trabalho da melhor forma possível. Me esforço muito, sei que entendo de basquete, falo com propriedade e recebo muitos elogios (aceito as críticas também, desde que venham com embasamento e educação… sou ótima em receber feedbacks, de verdade). Acredito que a gente sempre pode melhorar, nunca sabemos de tudo, então estou nessa constante busca pela evolução.”

Muitas jovens mulheres estão na faculdade de jornalismo e sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. Qual mensagem você deixaria para encorajar essas mulheres a de fato fazerem parte dessa área dentro do jornalismo?

“Não tenham medo. O mundo está mudando (graças a Deus) e estamos conquistando cada vez mais nossos espaços! Fiquem firmes, estudem muito, usem as profissionais que desempenham um ótimo trabalho na atualidade como exemplo, calem a boca dos preconceituosos mostrando o quão competentes são e não esqueçam que muitas mulheres sofreram e se esforçaram no passado para que tivéssemos essas portas abertas hoje (e essas portas não irão se fechar mais). E ah, eu puder ajudar em algo, contem comigo!!! É maravilhoso trabalhar com esporte, não desperdice essa oportunidade.”

Giovanna Terezinno na cobertura do NBB dessa atual temporada em São Paulo.

Heloysa Guedes – publicitária que integra a equipe de comunicação da Unifacisa

Primeiramente como foi sua trajetória inicial dentro do jornalismo/marketing esportivo? E o que representa para você trabalhar na comunicação da Unifacisa e contar com a presença de outras mulheres na equipe?

“Minha jornada com o ESPORTE inicia muito cedo com a referência do meu Pai que é um apaixonado pelo futebol e já dedicou um tempo de sua vida como jogador. Cresci vendo minha família muito envolvida nessa paixão, logo criei também o interesse em acompanhar e aprender sobre esse universo. Hoje, trabalhar na Unifacisa tem um significado muito especial para mim! Consegui unir minha paixão pelo esporte ao meu amor pela comunicação, pense num combo arretado! E se falando de Basquete, estar nessa equipe da Unifacisa, é satisfação pura! Aqui aprendo muito e foi onde dei o start inicial para imergir ainda mais no mundo esportivo. Ter ao meu lado outras mulheres é simplesmente perfeito e enriquecedor para o meu trabalho, aprendemos muito juntas e sabemos que nosso trabalho vem sendo reconhecido, isso nos inspira a continuar sempre fazendo esse trabalho com tanta dedicação e excelência.”

Mulheres dentro do jornalismo/marketing esportivo ainda são vítimas de preconceito e até assédio, você em algum momento sofreu algum tipo de preconceito quando estava trabalhando e como lidou com esse cenário caso ele tenha ocorrido?

“De fato! Hoje, muitas mulheres ainda lidam com essas situações, isso me entristece bastante! Felizmente nunca sofri preconceito ou algum tipo de assédio, mas sei que não estou isenta de passar por essas situações. Estamos falando de um meio em que a maioria dos profissionais são homens! Mas, entendo que existe a representatividade feminina, porém atrelada a ela existem as dificuldades relacionadas ao gênero impostas por essa área, é um desafio diário, mas sei que juntas já conquistamos muito espaço e seguiremos assim.”

Muitas jovens mulheres estão na faculdade de jornalismo/publicidade/marketing e sonham em trabalhar com jornalismo/marketing esportivo. Qual mensagem você deixaria para encorajar essas mulheres a de fato fazerem parte dessa área dentro da comunicação?

“Hoje, muitas mulheres ocupam lugares importantes em redações de jornais, ambientes de criação de agências de marketing/publicidade e outras áreas da comunicação, mas as mulheres ainda são, notoriamente, minoria quando se trata de editorias de esportes nos meios de comunicação. Então, minha mensagem é em forma de pedido: Venham! – Estudem, se especializem e venham enriquecer ainda mais esse mercado. Ainda tem muito espaço para ser preenchido e eu fico muito feliz em ver cada vez mais mulheres lutando por esses lugares.Se inspirem em grandes exemplos como: Ana Flávia Nóbrega, jornalista, repórter da Copa do Nordeste, comentarista e pesquisadora de mídia e futebol aqui no Nordeste. (https://twitter.com/AnaFNobrega) Geovanna Teixeira e Giovanna Terezzino, repórteres do NBB. Natália Lara, narradora esportiva, a voz do brasileirão feminino! Essas e várias outras mulheres me inspiram para seguir sempre buscando meu lugar dentro do marketing/jornalismo esportivo. É um prazer saber que juntas estamos construindo uma história e seguiremos construindo com as que estão chegando para se unir ao time!”

Heloysa Guedes na rotina da comunicação da Unifacisa nessa atual temporada com a presença ainda da pandemia da Covid-19.

Geovanna Teixeira – jornalista que fez a cobertura de jogos da Unifacisa pelo NBB

Primeiramente como foi sua trajetória inicial dentro do jornalismo esportivo? E o que representa pra você ter tido a oportunidade de trabalhar como reporter em um dos principais campeonatos de basquete do país?

“Eu costumo falar que já nasci jornalista. Esse é um sonho que vivo desde que aprendi a ler e a escrever. Sempre tive jornais na escola, blogs e por aí vaí. As coisas começaram a se tornarem mais viáveis para o jornalismo esportivo em si quando em 2012, eu estava no 3º ano do ensino médio e enviei um e-mail para um grande site que cobre o meu time do coração no futebol. Eu tinha 16 anos na época, falei que sentia falta de uma voz feminina no site e eles gostaram da minha ideia, fizeram o site e fiquei com eles por volta de 3, 4 anos. Aquela oportunidade me abriu muitas portas!

Quando eu entrei na faculdade, um colega assumiu a assessoria de imprensa de um clube da minha cidade e me chamou pra trabalhar de forma voluntária, fiquei poucos meses, mas já me rendeu um grande aprendizado e o contato com a imprensa local. Um tempo depois, trabalhei no rival desse time, na assessoria voluntária também e aprendi muito sobre os bastidores da assessoria esportiva.

Logo após, me tornei estagiária de um jornal impresso, o Jornal Correio da Paraíba. Escrevi matérias esportivas por 2 anos sobre a minha cidade e os times do Sertão do Estado. Foi uma experiência sem igual, o impresso tem seu charme e é uma verdadeira escola.

Neste período, participei de uma seleção do jornal Lance! o Craque do Futuro, que consistia em estudantes de jornalismo enviarem matérias sobre o dia a dia do esporte do seu estado e eles selecionavam as melhores para postar. Depois de quase 1 ano do projeto, o Lance! selecionou quatro jovens para estagiar por uma semana na redação da empresa e eu fui um dos jovens! Foi um momento muito especial para mim, eu estava grávida de 8 meses e foi uma confirmação pra mim de que o meu sonho do jornalismo esportivo ainda poderia seguir, mesmo com a maternidade. Foi justamente nesse período do estágio na redação do Lance! que tive meu primeiro contato cobrindo basquete. Fiz a cobertura de um jogo de playoffs entre Flamengo e Limeira. Não tenho palavras para descrever o que senti naquele momento, foi muito surreal viver aquela energia dos torcedores, me senti num verdadeiro caldeirão. Nunca me esqueço!

Segui meu estágio no Jornal Correio e coincidiu justamente com a crescida do projeto do Basquete Unifacisa, pude fazer algumas matérias sobre a equipe que ainda estava muito no comecinho e foi muito legal!

Saindo do Jornal Correio, fui estagiar no Globoesporte.com da Paraíba. Era meu último ano de faculdade em 2017 e aproveitei ao máximo o estágio, aprendi muito e mais uma vez o basquete entrou em cena, com a inauguração da Arena Unifacisa. Fiz uma matéria antes do jogo festivo contra o Fla Basquete e contei a ideia ousada do diretor da equipe, Dr Diego Gadelha, de fazer o projeto chegar no NBB. A matéria foi capa do GE nacional e foi muito importante tanto pra mim, quando pra Unifacisa, que teve sua história contada pro Brasil todo.

Me formei, passei a trabalhar com publicidade e sempre fui aos jogos da Unifacisa, pegava alguns freelas para sites de Brasília quando as equipes de lá vinham jogar basquete por aqui e fui aproveitando os espaços como dava. Não há muitas oportunidades de emprego para o jornalismo esportivo na Paraíba, infelizmente.

Em 2019, quando o Basquete Unifacisa venceu a Liga Ouro e garantiu a vaga para o NBB, percebi que eu poderia trabalhar fazendo a cobertura de alguma maneira, nem que fosse por conta própria. Então, assim que tive a oportunidade, fiz um curso de formação de árbitros pela Federação Paraibana de Basketball. Eu estava pronta para o que aparecesse!

Em junho de 2019, mandei um e-mail para o Diego Silver, do Área Restritiva, perguntando se eu poderia contribuir de alguma maneira com notícias do Basquete Unifacisa para o site. Na cara de pau mesmo! Eu nem o conhecia e nem ele a mim, mas o Diego foi muito solícito e me integrou à equipe do Área.

Quando recebi o convite pra fazer parte da equipe das transmissões do NBB, foi um período muito especial pra mim. Foi uma oportunidade incrível, com espaço para aprender e representar Campina Grande durante as transmissões. Fiz um ciclo de amizade sem igual e falo diariamente com muitas das pessoas que conheci graças ao trabalho com a Liga. Infelizmente, com a pandemia, as coisas tomaram um rumo diferente, mas foi necessário.

Finalizei uma pós-graduação em telejornalismo com um projeto que contou como a Tv Itararé (afiliada da TV Cultura) fez uma cobertura histórica sobre a trajetória da Unifacisa na Liga Ouro. Gostei muito de me debruçar sobre a ligação da Tv com o sentimento de torcida que Campina Grande tem com a Unifacisa, por isso levei o projeto para o mestrado e esse ano começo a me aprofundar na relação da Tv Itararé e a cultura do basquete em Campina Grande.”

Mulheres dentro do jornalismo esportivo ainda são vítimas de preconceito e até assédio, isso até maior em razão das redes sociais, você em algum momento sofreu algum tipo de preconceito quando estava trabalhando e como lidou com esse cenário caso ele tenha ocorrido?

“Olha, ser mulher no esporte não é fácil. Sempre tem aquelas piadas ou perguntas que são feitas com a única intenção de magoar ou de fazer com que a capacidade da mulher seja questionada. Ouvia muito com relação à minha idade quando eu ainda era universitária e estagiava. As pessoas achavam que por ser jovem e mulher, eu não merecia estar ali. Ouvia algumas coisas vindo da arquibancada enquanto eu trabalhava com futebol. A impressão que tenho é que com o futebol, as coisas já melhoraram, mas ainda precisa de muito mais. Graças a Deus, durante a minha experiência com o basquete, sempre fui muito respeitada. Se alguém duvidou da minha capacidade, não chegou até a mim.”

Muitas jovens mulheres estão na faculdade de jornalismo e sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. Qual mensagem você deixaria para encorajar essas mulheres a de fato fazerem parte dessa área dentro do jornalismo?

“Ser mulher na sociedade atual não é fácil, é necessário resistir e acreditar em si, acima de tudo. Mas, é necessário ter consciência que muitas mulheres no passado ralaram muito para abrir portas para nós, na atualidade e, portanto, devemos ocupar esses espaços, abrir mais portas e janelas para as meninas no futuro. Jornalisticamente falando, a minha dica é: esteja pronta. Se antecipe sempre que puder! Com a internet, fazer uma rede de network é mais viável. Aproveite esses espaços, se conecte com pessoas que gostam do mesmo que você, troque ideias com pessoas que já estão no mercado de trabalho, se ofereça para estágios voluntários e crie oportunidades. Tudo pra mim começou com um e-mail enviado para um grande portal, que tinha uma enorme possibilidade de não me responder. Mas eles me responderam e fizeram muito mais do que imaginei. Para as futuras jornalistas esportivas, eu espero que vocês sejam fortes e ousadas!”

Geovanna Teixeira entrevistando o Léo Demétrio, do Flamengo, na partida contra a Unifacisa, em Campina Grande

Karine Nascimento – jornalista que fez a cobertura de alguns jogos do Basquete Cearense

Primeiramente como foi sua trajetória inicial dentro do jornalismo esportivo? E o que representa pra você ter tido a oportunidade de trabalhar como reporter em um dos principais campeonatos de basquete do país?

“Eu entrei no jornalismo por causa do esporte. Do futebol, mais precisamente. O futebol masculino é, praticamente, a única modalidade que temos acesso nas TVs, com fartura de transmissões e debates. Já depois de formada, passei a ter uma relação mais próxima com o basquete e eu sou muito grata ao NBB por isso. Trabalhar com o basquete, mais precisamente na reportagem do NBB, passou a ser uma lembrança diária de que o esporte não se resume ao futebol, e que as demais modalidades também merecem destaque.”

Mulheres dentro do jornalismo esportivo ainda são vítimas de preconceito e até assédio, isso até maior em razão das redes sociais, você em algum momento sofreu algum tipo de preconceito quando estava trabalhando e como lidou com esse cenário caso ele tenha ocorrido?

“Sim, não diretamente nas quadras, mas nas redes sociais é mais comum do que se pensa. Muitos ignoram os pedidos de “eu não gosto desse tipo de elogio” ou semelhantes.”

Muitas jovens mulheres estão na faculdade de jornalismo e sonham em trabalhar com jornalismo esportivo. Qual mensagem você deixaria para encorajar essas mulheres a de fato fazerem parte dessa área dentro do jornalismo?

“Ser mulher e trabalhar no esporte é evitar ao máximo errar, porque você sabe que, indiretamente, esse erro vai “respingar” em outras colegas, como se confirmasse a máxima de que mulher e esporte não combinam. À medida que mais mulheres adentram no jornalismo esportivo, ele se torna um lugar mais acolhedor, porque você sabe que, ao olhar para o lado, aquela colega vai entender o que você está passando. Além disso, o aumento das mulheres nas redações pode ajudar a requerer um maior cuidado na cobertura dos esportes femininos, que até poucos anos atrás era reduzida à sexualização das atletas.”

Karine Nascimento sempre contou com o respeito dos jogadores do Basquete Cearense.

Helen Luz – campeã mundial pelo Brasil em 1994, irmã do grande armador Rafa Luz, campeão pelo Flamengo no NBB na temporada 2015/2016. Atualmente, Helen comenta os jogos do NBB

Primeiramente como tu descreve a importância do esporte na sua vida, isso tanto no aspecto profissional?

“O esporte sempre fez parte da minha vida. Iniciei aos 4 anos com a natação e fiz outros esportes também, logo veio o basquete . Meu pai como educador físico sempre incentivou os seus filhos à prática esportiva. Pra mim foi transformador. Meu deu oportunidades e me levou à lugares que eu jamais pensei estar. Os valores que o esporte me proporcionou os carrego até hoje – disciplina, respeito, companheirismo.”

Você nos últimos anos está tendo a oportunidade de ser comentarista nos jogos de basquete. O que você pode falar dessa experiência? Acaba sendo um aprendizado diário?

“Na verdade nunca pensei em ser comentarista. Surgiu logo que eu parei de jogar em 2011 e desde então aqui estou. Gosto muito e confesso que a cada dia aprendo ( regras principalmente )e me envolvo mais com a modalidade. Sempre busco aprimorar os meus conhecimentos e com certeza é uma aprendizagem constante. Feliz demais em estar fazendo isso.”

Para finalizar, várias jovens mulheres sonham em ser jogadoras de basquete e até serem comentaristas no basquete. O que você poderia dizer para essas meninas não desanimarem e continuarem na luta por esse sonho?

“Posso citar o meu exemplo. Nunca foi fácil pra mim, mas eu também nunca desisti. Vejo que muitas ficam no meio do caminho quando encontram uma pedra de tropeço. Os desafios e lutas são superados por aqueles que resistem e querem realizar seus sonhos. Comigo não foi diferente. Disciplina, dedicação e humildade são os pilares para conquistar algo, chegar aonde se deseja.”

Helen Luz sempre engrandeceu a seleção brasileira de basquete feminino dentro das quadras.

Flamengo já teve história rica no basquete feminino

Quem está ligado e conhece a história centenária do basquete do Flamengo sabe a importância que o basquete feminino teve no clube durante a década de 1960, inclusive tendo várias jogadoras que fizeram parte da seleção brasileira. Fica o desejo do Garrafão Rubro-Negro que o basquete feminino possa voltar ao clube da Gávea em médio a curto prazo e esse elo vitorioso com o passado da modalidade possa ser reconstruído com novos capítulos, vitórias e títulos também com as mulheres em quadra.

O basquete feminino do Flamengo já teve seu momento de hegemonia e grandes momentos no cenário nacional.

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