Marcelo Vido analisa as consequências da Covid-19 no basquete rubro-negro e a perspectiva para a próxima temporada

A pandemia do coronavírus tem proporcionado um aprendizado diário para quem está ligado ao esporte e precisa fazer novos planejamentos em virtude do avanço ou da redução da doença. O basquete do Flamengo não está livre desse panorama. O blog Garrafão Rubro-Negro fez uma entrevista exclusiva com Marcelo Vido, diretor executivo de esportes olímpicos do Flamengo, sobre o impacto da Covid-19 no planejamento do basquete, a relação com patrocinadores nesse momento e a perspectiva para a próxima temporada.

Marcelo Vido – diretor executivo de esportes olímpicos do Flamengo

Primeiramente, Marcelo Vido, como foi para você e a diretoria constatar o impacto da pandemia da Covid-19 na temporada do basquete do Flamengo tanto na categoria adulta e na base? Fica um sentimento de frustração pelo não término do NBB e os jogadores na qual você depositou confiança não terem a oportunidade de buscar mais um título pelo clube?

“Como a pandemia é a disseminação mundial de uma doença que atingiu todos os setores da sociedade, foi uma situação que fugiu totalmente do nosso controle. O esporte sofre como todos os segmentos. Para nós, esportes de base e profissional, o mais importante nesse momento é a preservação da saúde dos nossos atletas, colaboradores e respectivas famílias e amigos. No esporte de base, as atividades estavam no início da temporada, mas devemos recomeçar quando as autoridades de saúde avaliarem e decidirem pelo retorno. No adulto foi um pouco mais difícil pois o NBB 12 foi cancelado e naquele momento estávamos em primeiro na competição e, também, na final da Champions League Américas. O nosso grupo estava muito confiante e chegando em um nível muito alto para buscar os dois campeonatos.”

Como foi a recepção dos patrocinadores do basquete do Flamengo, como a TIM e o banco BRB, em relação a esse momento da pandemia? E sobre a parceria com banco BRB era de conhecimento de todos que o clube ainda tinha dois jogos a cumprir em Brasília no playoff do NBB, como foi resolvida essa questão?

“Temos, juntamente com o departamento de marketing do CRF/EEOO, buscado novas estratégias de entregas aos nossos patrocinadores TIM e BRB, através de conteúdos nas nossas mídias sociais utilizando a imagem dos nossos atletas e comissão técnica. Por uma força maior as competições não serão continuadas nesse momento e nossos parceiros têm entendido essa fase que todos nós estamos passando.”

Na temporada que acabou recentemente, o Flamengo viveu um grande drama de não ter uma casa fixa no Rio de Janeiro nos jogos do basquete da equipe adulta, praticamente atuou em todos os ginásios de maior porte na cidade. Ter uma casa fixa como o Maracanãzinho seja para jogos de maior e menor apelo deve ser uma prioridade da diretoria para a próxima temporada?

“A possibilidade de utilizar o Maracanãzinho foi muito esperada e comemorada por todos os amantes do basquete. O local é um templo dessa modalidade, assim como do voleibol. Esperamos, após esse momento de pandemia, realizar rodadas duplas ou até triplas, incluindo o voleibol feminino e o futebol. Quem sabe?”

Muitas equipes no Brasil mesmo antes da pandemia já tinham parcerias com instituições paraestatais como o Sesi e o SESC que ajudavam de certo modo no orçamento durante a temporada. Você acredita que parcerias como essas podem ser um caminho para outros clubes no pós-pandemia?

“É muito difícil nesse momento avaliar como será o financiamento dos esportes em geral tanto no Brasil como no mundo. Não temos dúvidas de que será um cenário bem diferente do que vivemos nos últimos anos. Haverá perdas em todos os segmentos e temos de entender esse momento e os próximos anos.”

O Flamengo no basquete nas últimas temporadas acabou tendo patrocinadores por projeto de lei do incentivo ao esporte como também patrocinadores diretos. Como você vê esses modelos no atual momento econômico do país? E o que pode ser aperfeiçoado para a próxima temporada? Pode ser o momento de os clubes passarem a buscar ativações pontuais de patrocínio por partida?

“Tentamos sempre ter um equilíbrio no financiamento do basquete profissional entre o recurso público e o privado. Os dois setores estão sendo afetados nesse momento da crise, infelizmente. Temos trabalhado em busca de novas fontes de financiamento com programas que lançaremos até o final desse ano. O desenvolvimento desses novos programas começou em 2019. Nesse momento ainda não posso adiantar os conteúdos deles. Ativações pontuais ainda não estão sendo analisadas.”

Para finalizar, o torcedor rubro-negro vive uma certa expectativa sobre o orçamento e o elenco da próxima temporada. Poderíamos afirmar que teremos novamente uma equipe competitiva dentro de quadra? E qual é o impacto no planejamento ter a final da Champions League e uma nova edição do torneio na próxima temporada?

“O objetivo do Flamengo é sempre a busca pelos títulos de todas as competições que iremos disputar, mas sempre com responsabilidade, credibilidade e respeito às regras em geral. Desde 2013, disputamos 17 finais e ganhamos 15. Isso mostra a competitividade que nós mesmos colocamos como meta. Vale ressaltar que já estamos na nossa 18ª decisão. Estamos na final da Champions League Américas, atrás do título inédito, esperando o adversário entre São Lorenzo e Quimsa, ambos da Argentina. Queremos muito essa conquista que deverá acontecer entre final de setembro e outubro.”

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