Garrafão Entrevista – Marcelinho Machado

O blog Garrafão Rubro-negro reforça seu compromisso com todos os seus assinantes e apresenta a primeira edição do “Garrafão Entrevista”. O maior ídolo e maior vitorioso da história centenária do basquete do Flamengo, Marcelinho Machado, é o primeiro entrevistado pelos assinantes do blog.

Todas as perguntas foram elaboradas por assinantes e respondidas pelo eterno camisa 4 do basquete do Flamengo.

Confira a entrevista

Pergunta de Andressa Leal

  • Quais são as suas principais lembranças dos seus primeiros momentos no Flamengo? E quais são suas recordações do primeiro elenco que você fez parte no clube?

“Primeiramente foi uma satisfação ter retornado ao Flamengo, clube que eu comecei a jogar. Eu rodei bastante. E em 2007 eu acredite no projeto novo, no recomeço do Flamengo. O clube vinha de uma campanha no Campeonato Nacional que tinha ficado em oitavo lugar, tinha perdido 3 a 0 pra Franca no playoff. A ideia era conseguir colocar o Flamengo como um dos principais clubes do Brasil e conquistar hegemonia dentro do basquete brasileiro e buscar os títulos internacionais que o Flamengo não tinha até então. Aí foi formado um grupo muito bom. Eu já lembro que o grupo era forte e eu fui o último jogador a acertar. E deu tudo certo. Naquele ano fomos campeões nacionais e perdemos apenas 3 jogos na fase de classificação, esses três jogos que eu não joguei.  No playoff a gente ganhou de todo mundo, sem perder uma partida. Foi uma volta a elite já no primeiro ano que foi desenvolvido esse projeto. E nesse primeiro ano tem a disputa do Campeonato Sul-Americano e aí tem uma das melhores recordações que eu tive nessa minha volta ao Flamengo, foi o jogo da semifinal contra o Boca Juniors. A gente tinha perdido o primeiro jogo lá e tinha que jogar contra eles aqui no Rio, imagina, Flamengo e Boca Juniors, pelos nomes e as grandezas desses dois clubes, dispensa qualquer tipo de comentários. A gente jogou no Tijuca e a torcida inflamou de uma maneira que a gente ganhou os dois jogos no Tijuca e nos classificamos para a final.  Perdemos a final por 3 a 2 lá na Argentina no quinto jogo, mas mesmo assim já demonstramos que tínhamos capacidade de voltar a elite não somente no Brasil, mas das Américas também.”

Pergunta de Fábio Antunes

  • A conquista da Liga Sul-Americana em 2009 em Santiago Del Estero foi um dos grandes momentos seus com a camisa do Flamengo. Dez anos após essa conquista, como você dimensiona o feito do time rubro-negro na Argentina? Você diria que dos elencos que tu participaste, esse foi o que mais soube superar as adversidades fora de quadra, como atraso de salários, e buscar esse título?

“ Essa conquista de 2009 a gente tem que voltar no ano anterior. A gente bateu na trave na Liga Sul-Americana, naquele primeiro ano do novo projeto do basquete do Flamengo. Foi uma conquista incrível, a primeira conquista internacional.  Eu lembro que esse grupo queria muito esse título desde o ano anterior. Ainda mais com a sensação de ter batido na trave, ficamos com a sensação de querermos mais. E a gente chegou na fase final desse torneio com 4 meses de salários atrasados. Muita gente cita essa minha liderança de fazer o time focar dentro de quadra. Mas eu prefiro dizer que existia o foco de todos os jogadores que estavam ali e passando por essa dificuldade. Nós encontramos força e nos unimos e conseguimos uma conquista muito importante para a história do Flamengo. Eu diria que hoje o Flamengo já tem outra visibilidade, todo jogador quer jogar no Flamengo, patrocinadores querem entrar no clube. Mas nesse ano e nessa conquista estávamos construindo essa confiança dentro de quadra e a confiança de equipe em si que daquele momento para frente iria disputar outras competições pela frente.  E a gente percebia nesse período que precisávamos de uma melhora fora de quadra. E isso foram momentos que a gente teve que passar para ver o Flamengo atualmente ter toda a condição que tem. E ser campeão ao lado do meu irmão, fazer história ao lado do meu irmão, melhor, dos meus irmãos, mas dentro de quadra com o Duda, realmente não teve preço e ter tido a oportunidade de ter dividido quarto com ele, ter a vivência de família no dia a dia foi uma das coisas mais marcantes pra mim também.”

Pergunta de Ayrton Gerin

  • Como você analisa o atual momento do basquete do Flamengo no comando do técnico Gustavo De Conti?

“Acredito que hoje o Flamengo sempre terá um time competitivo. Todos os jogadores querem jogar no Flamengo. Hoje, o Flamengo tem uma melhor estrutura para oferecer. Eu vejo essa equipe atual precisa ser trabalhada, mas manteve a base que foi campeã do NBB passado. Trocas importantes aconteceram. O Flamengo vai sentir muito a saída do Anderson Varejão, não somente pelo jogador que ele é e pela liderança que ele exercia no grupo. Acredito que será necessário tempo para esse time mostrar seu melhor basquete.”

Pergunta de Angela Gama

  • A história da família Machado tem uma forte ligação com a história do Flamengo. Você, Duda Machado e o Ricardo Machado fizeram parte de grandes conquistas do clube. E agora o clube que você é ídolo tem seu filho jogando na base. Como você descreveria essa relação sua com o Flamengo, ainda mais agora vendo o seu filho ter a chance de iniciar o basquete defendendo o manto sagrado? Gratidão seria uma dessas palavras?

“Eu sou muito grato ao basquete e ao esporte de uma maneira geral por formar meu caráter e por me fazer quem eu sou hoje. Muitos amigos hoje eu tenho em razão do basquete e até a posição financeira que eu atingi foi em razão do basquete. Eu vivi o sonho de poder voltar ao Flamengo e contribui para que o clube hoje fosse a potência que é. A maneira que enxergavam o Flamengo. E poder fazer isso ao lado dos meus irmãos foi muito gratificante e muito legal. E ver meu filho atuar na base do clube atualmente para mim é uma alegria enorme. Eu me vejo voltando no tempo e viver tudo de novo.  Flamengo está fazendo um trabalho legal na base, eu acompanho sempre.  E essa entrevista que estou dando a vocês é após um jogo dele pela base e o time venceu essa partida. E o esporte é isso, formação de caráter, formação de ser humano. Ele é uma pessoa do bem e o esporte está aí para isso.  E em casa sempre deixei claro que meus filhos praticassem esportes. Claro pela proximidade que eles têm com o basquete, o Gustavo acabou escolhendo o basquete. E vamos ver o que será do Tiago, atualmente ele está jogando futebol e vamos ver no futuro se ele ficará no futebol, vai pro basquete ou fazer outro esporte. O importante é que meus filhos façam esportes.”

Pergunta de Roberto Ultra

  • Sabe-se que você é o maior ídolo do basquete rubro-negro. Considerado, com razão, o Zico do basquete! E, assim como o Zico, percebemos um caráter e uma vontade de contribuir para o seu esporte acima do comum, mesmo após a aposentadoria. Qual seu sonho para o seu projeto social? Revelar jogadores ou influenciar positivamente a vida de jovens do Rio de Janeiro?

“Muita gente me pergunta qual é a minha maior conquista do Flamengo e quando eu vejo um torcedor colocar na mesma frase o meu nome e do Zico para quem cresceu nas arquibancadas do Maracanã torcendo pela aquela geração da década de 80 com Zico, Júnior, Andrade, Nunes. Ser colocado na mesma frase, os rubro-negros que viveram essa época vão entender o que eu estou falando, é o maior orgulho que o rubro-negro pode ter. Mesmo eu não concordando, pois o Zico pra mim é o maior de todos e bem distante de qualquer outra referência rubro-negra. Isso eu vejo como um grande elogio. Sou muito grato por todo o carinho que eu recebi da torcida do Flamengo. Tentei retribuir com todo o esforço e dedicação que eu pude com a camisa rubro-negra. E hoje eu consigo ver que o ídolo tem esse poder sobre o fã. O fã está observando tudo que o seu ídolo faz, não somente o que ocorre dentro de quadra. O fã analisa o posicionamento dele em entrevistas e perante a sociedade.  Hoje eu tenho meu projeto social e me dedico muito a isso. E é muito importante a gente ter a noção do país que a gente vive, a cidade que a gente vive, a desigualdade que existe e o quanto a gente através do nosso esforço e dedicação contribuir para transformar que não seja o mundo todo, mas individualmente alguns mundos. E pra mim é muito gratificante poder fazer isso. Eu colocaria o exemplo de outros ídolos na minha carreira e não somente o Zico. Cito o Junior que tem projeto que também ajuda crianças. Tem tanta gente que contribuiu para que eu pudesse ter essa cabeça e entender que era importante retribuir. Hoje eu estou fazendo a minha parte e espero que outros também possam se dedicar a isso.”

Depoimentos dos assinantes para Marcelinho Machado

Roberto Ultra

A Nação nunca irá esquecer seus feitos pelo Flamengo. Seu nome está gravado para sempre na história e eternizado nos troféus, na bandeira da arquibancada e nas nossas memórias. Você realmente é o nosso Zico do basquete, tendo nos levado aos maiores títulos da história! Mesmo quando achavam que você não poderia mais contribuir com o time, você surpreendeu muitas pessoas. Saiba que você tem muitos fãs e peço que você continue sendo um exemplo de caráter, persistência e de amor ao esporte. Dessa forma, irá trazer mais alegrias e influenciar positivamente muitas outras vidas. Obrigado por tudo!

Ayrton Gerin

” Marcelinho, para o rubro-negro você fez o mais importante: honrou o Manto Sagrado!Jogou com raça, determinação, postura e altíssima qualidade. Obrigado por tudo! “

Em breve, o Garrafão Rubro-Negro irá divulgar quem será o segundo entrevistado pelos assinantes e teremos sorteio de ingressos para os jogos da equipe adulta e brindes. Se você já é assinante, o nosso muito obrigado. Caso você ainda não é, assine. Saiba mais detalhes no link:

https://www.catarse.me/garrafao_rubro_negro

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