Rodrigo Galego descreve os primeiros meses de trabalho no Flamengo e a metodologia usada na LDB 2019

Um dos novos talentos da nova geração do basquete brasileiro, o treinador Rodrigo Galego chegou ao Flamengo como uma aposta feita pela diretoria rubro-negra para comandar a equipe sub-19. O blog Garrafão Rubro-Negro realizou uma entrevista exclusiva com o treinador sobre os primeiros meses no clube da Gávea e o favoritismo da equipe na LDB dessa temporada.

Rodrigo Galego – treinador do Flamengo na LDB 2019

Os primeiros meses atuando como técnico da base do basquete rubro-negro

– Tem cinco meses que estou aqui trabalhando e tem sido uma experiência bem intensa, muita informação nova. Apesar de eu estar há muito tempo “militando” já na área, é a primeira vez que eu pego um clube de grande porte, com uma grande estrutura. Então, ao mesmo tempo que eu tenho a chance de fazer muita coisa que eu sempre sonhei fazer e nunca pude por causa da estrutura, eu também tenho uma série de demandas e funções a mais do que eu fazia na minha época. Eu fui muito bem recebido por todo mundo, fui rapidamente, prontamente absorvido não só pela categoria adulto, com o Gustavo De Conti, o Fernando Pereira, o Bruno Nicolaci, Ricardo Machado, mas também pela categoria de base. O Igor Melleti, o Vitor Boccardo, que também estava chegando esse ano, enfim, todos os técnicos tentaram me receber e me colocar a par de como estavam trabalhando e foram muito receptivos com as minhas ideias. Ao mesmo tempo que me passaram como trabalhavam, me deram muita liberdade de eu procurar mostrar um pouco do que eu já fiz, do que faço, do que acredito, então foi uma troca muito intensa, um momento muito importante para eu entender um pouco da cultura do Flamengo, de como se trabalha, mas também um pouco do que eu vim fazer aqui. O Diego Jeleilate quando me trouxe foi também para tentar alinhar um trabalho único na base, mais próximo do que é feito no adulto. Então todo trabalho que envolve cultura leva um certo tempo, estamos aí a um médio prazo, quatro meses ainda é bem inicial, mas pequenas mudanças significativas de comportamento, de estrutura do jogo já têm acontecido. A gente espera que isso possa ser aplicado na LDB e essas experiências com os playoffs do adulto com certeza me ajudaram a legitimar, a validar um pouco mais as minhas falas com a categoria que eu trabalho.

O planejamento feito por ele e a diretoria do Flamengo para a disputa da LDB dessa temporada

– Quando eu cheguei aqui, o Diego Jeleilate estava com essa ideia de disputar o Torneio Carioca com a equipe sub-19 e eu votei bastante a favor pelas minhas experiências com outros trabalhos também. A gente precisa gerar um espaço grande de jogos. Apesar de termos uma estrutura boa de treinarmos todos os dias, jogar é um recorte interessante para a gente experimentar os atletas e a gente tem um grupo bem volumoso. Eu aproveito, apesar de ter muitos garotos de 19, 18 anos, alguns da categoria Sub-17. Ter vários jogos de muitos estilos de diversos campeonatos dá uma diversidade interessante para a gente entender os atletas. Se a gente fosse jogar só o Carioca Sub-19, somos uma das equipes mais fortes da competição, então são poucos jogos muito acirrados. Tem também a questão maturacional. A gente vai enfrentar garotos também de 17, 18, 19 anos. Nesses torneios que estamos jogando, tanto o Torneio Carioca quanto a LSB, a gente enfrenta atletas que já foram profissionais que hoje em dia estão jogando de forma mais amadora para se divertir. Enfrentamos jogadores que tiveram seu destaque na região, nunca foram profissionais, mas levam muito a sério a competição. Às vezes o cara está um pouco fora de forma porque não treina mais com muita consistência, mas ele é adulto, a parte maturacional dele, a questão de não ter nervosismo nenhum, de jogar um pouco mais duro, mais físico também, essa experiência tem sido muito legal para os atletas. Com certeza deu para observar e tirar muitos aprendizados. Às vezes a gente enfrenta equipes que têm uma estrutura menor que a nossa em campeonatos adultos, que têm uma dificuldade de enfrentar a gente de igual para igual, mas os jogadores são muito duros, muito intensos enquanto podem, então essa experiência é muito legal. Até mesmo quando a gente enfrenta uma equipe que não tem tanta qualidade técnica e física, também é uma experiência para vermos como o time está se posicionando em termos de continuar jogando sério, concentrado pensando em vencer. E aí, lógico, algumas equipes adultas fortes também que a gente enfrentou como o Niterói, que tem um jogador experiente pra caramba como o Rodrigo Bahia. Colocar os garotos num teste desse, numa competição que a gente pode usar como aprendizado. Lógico que a gente também quer ser campeão, é Flamengo, mas usar como aprendizado tem sido uma grande experiência. Eu digo que me ajuda na questão técnica, na questão tática, mas me ajuda também no pessoal. De ver como os atletas se comportam, como eles superam as adversidades, como se colocam nos momentos fáceis, bons, positivos deles. Foi uma estratégia muito saudável que a gente fez e tem discutido internamente para repetir essa ação no ano que vem.

As contratações de Pedro Nunes e Matheus Maciel para integrarem a base do Flamengo

– A primeira característica, apesar de ser um armador e um pivô, é parecida. A gente está, como eu falei, fazendo uma mudança de cultura, de comportamento dos atletas na categoria Sub-19, e tanto o Matheus quanto o Pedro, por terem experiências no exterior e serem dois atletas que realmente visam e se preparam para virar profissionais, acho que a primeira característica positiva deles e impactante, nessa uma semana e meia que estão conosco, é a questão da postura profissional deles. Eles têm uma ética de trabalho muito boa, são muito atentos aos comandos, então são atletas mesmo no melhor sentido da palavra, não são jogadores, são atletas. Essa experiência tem sido muito legal. O Matheus é um jogador interessante na posição, que vai acrescentar para a gente, vai aliviar um pouco o trabalho do Ruan, que precisa ser desenvolvido de maneira mais ampla também, não só debaixo da cesta. Então é um jogador de uma qualidade interessante que vai nos ajudar. O Pedro é um armador com um potencial interessante também, um armador alto, que tem pouco no Brasil. Mas os dois atletas são atletas em desenvolvimento, não são jogadores prontos, jogadores que vão resolver o problema pra gente, até porque o nosso formato de jogo é um formato voltado para a coletividade. Vai finalizar, vai pontuar, vai resolver o problema quem estiver melhor na hora. São jogadores que vão agregar bastante nesse estilo de jogo pois, apesar de serem atletas com qualidade técnica individual, praticam um basquete muito coletivo também.

A administração do favoritismo pelo título da LDB dessa temporada e não tornar isso uma pressão interna a mais que possa atrapalhar o rendimento da equipe

-Essa questão do favoritismo e da pressão, para você ter uma ideia eu trabalhei num time na Liga Ouro do ano passado que após os jogos eu tinha que sair por último do ginásio pois tinha que levar as roupas para lavar em casa, carregar as bolas e as toalhas, tinha que guardar tudo no carro, carregar tudo sozinho. Eu trocaria tudo para ter a experiência que estou tendo agora, trabalhar num clube grande, de tradição, que tem um trabalho decente, que tem uma comissão técnica integrada, com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente técnico, todas as categorias ficam dialogando, a gente tem contato direto com a equipe adulta. Nessa hora, pelo menos para mim, não vejo pressão nenhuma porque quando você escolhe trabalhar com esporte de rendimento, a primeira coisa que você tem que gostar é de pressão. Então a torcida do Flamengo que pressiona pra ganhar é a mesma que apoia o tempo todo incondicionalmente para você vencer. A diretoria do Flamengo, que é a mesma que cobra que você vença, é a que te dá uma estrutura que poucos times te dão no Brasil, então é uma pressão que é saborosa ter. E quanto aos garotos, eles estão muito acostumados já nessa idade a sentirem a necessidade e a importância de vencer. Esse respeito pela camisa do Flamengo. Então essa pressão eu posso dizer que, nesse momento, pra gente, é uma parte gostosa. A gente sabe que tem várias equipes interessantes na competição, nós somos uma das favoritas, mas sabemos que tem equipes muito interessantes, muito competitivas, que, assim como o Flamengo, fomentam também a base do time adulto das equipes que jogam o NBB, mas sentir que nós somos parte dos favoritos e que temos necessidade de buscar o máximo de vitórias e buscar o título, ao invés de nos amedrontar ou atormentar, nos impulsiona, nos joga muito mais pra cima, então é por isso que estamos trabalhando.

A intensidade do time do Flamengo na primeira fase da LDB disputada no ginásio do Tijuca Tênis Clube

– A gente quer jogar de forma intensa e o que vai ocorrer em decorrência disso não temos o controle.  Tivemos a experiência de ter o Flamengo como a melhor defesa do último NBB e como eu sempre tenho falado que quero estar muito conectado com o que é praticado na equipe adulta. Apesar de ser a primeira LDB que estou disputando, eu assisti todas outras do lado de fora. Eu já tenho um histórico sobre os times que ganharam o titulo eram muito fortes defensivamente. É isso que estamos buscando. Todo jogo na LDB é uma oportunidade de desenvolver os nossos garotos do elenco.

3 comentários sobre “Rodrigo Galego descreve os primeiros meses de trabalho no Flamengo e a metodologia usada na LDB 2019

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.