Fred Santos – uma história de conquistas e aprendizado com o basquete rubro-negro

Ex-armador relembrou seus títulos pelo Flamengo e a sua nova função no clube atualmente

O basquete rubro-negro sempre contou em suas trajetórias com pessoas que brilharam dentro de quadra e depois acabaram dando sua contribuição importante na formação de atletas fora dela. E uma dessas pessoas concedeu uma entrevista exclusiva ao blog Garrafão Rubro-Negro. Fred Santos, bicampeão brasileiro e sul-americano pelo Flamengo, relembrou seus títulos com a camisa rubro-negra e explicou sua nova função no clube da Gávea nesse atual momento.

Fred Santos – ex-armador e atual técnico de habilidades da base do basquete do Flamengo

Alguns torcedores que passaram a acompanhar mais de perto o basquete rubro-negro nos últimos anos talvez não saibam como foi sua trajetória como jogador pelo clube. Fred, você poderia relembrar como foi sua passagem como jogador pelo Flamengo? Quais são suas principais recordações da estrutura do basquete rubro-negro quando você atuava?

Primeiramente, foi uma honra jogar no Flamengo. Acredito que seja uma honra para todos os atletas que vestem essa camisa, mas sendo flamenguista desde criança e tendo visto jogadores como Zico, Junior, Bebeto e Renato Gaúcho, entre outros grandes craques conquistando títulos pelo clube, vestir o Manto e defender essa Nação se torna uma emoção ainda maior.

Joguei no Fla de 2006 a 2012, na primeira temporada (2006/07) tínhamos um time competitivo onde pude jogar bem solto com bastante liberdade para finalizar, mesmo sendo um armador de criação para os companheiros de time. Fechamos a temporada com o título carioca, um sexto lugar no Brasileiro e eu com o nascimento da minha filha.

Já na temporada seguinte (2007/08), se iniciou o processo de transformação na história da modalidade no clube e nos cenários nacional e internacional. O Flamengo montou um timaço com 10 excelentes jogadores que realmente se uniram por um objetivo em comum, conquistar o primeiro título brasileiro de basquete do clube. E foi isso que aconteceu, nós dominamos o Campeonato Brasileiro (CBB) e fomos campeões tendo apenas 3 derrotas na fase de classificação e uma incrível sequência nos playoffs de 3×0 nas quartas de finais, semifinal e na final do campeonato. Nessa temporada ainda ficamos com o vice-campeonato no Sul Americano, perdendo de 3×2 para a equipe do Corrientes da Argentina.

Na temporada (2008/09) o clube reforçou ainda mais o elenco e já foi percebida uma melhora na estrutura para a preparação dos atletas, isso tudo por conta do novo desafio que estava por vir, o de se manter no topo diante de uma revolução no basquete brasileiro com a criação de uma competição organizada pelos clubes, o NBB. Nessa temporada outros times também se reforçaram bastante, o que deixou a competição mais acirrada e gostosa de se jogar. Foi um campeonato mais organizado, muito duro e com um número maior de equipes. Nosso elenco mais uma vez se uniu de verdade, deixando qualquer tipo de ego e vaidade de lado para alcançarmos nosso objetivo e, nessa temporada, tive um papel diferente no time. Me adaptei muito bem, vindo do banco com a função de mudar o jogo com muita energia na defesa e agressividade no ataque, e isso acabou me rendendo uma premiação individual de “Melhor Sexto Homem” do NBB, que foi a mais importante da minha carreira. O playoff final dessa temporada foi sensacional, jogamos contra a fortíssima equipe de Brasília, que também contava com excelentes jogadores de seleção brasileira, e todas as 5 partidas foram disputadas com um público de 15 mil torcedores. Nos consagramos campeões do NBB 1 na quinta partida, em casa, diante de toda a Nação Rubro-Negra que nos apoiou do início ao fim, foi simplesmente indescritível aquela sensação. Ali, o Flamengo se tornou bicampeão nacional de basquete e na mesma temporada conquistamos o primeiro título internacional da modalidade no clube, vencendo o Sul Americano numa final emocionante contra a equipe argentina do Quimsa dentro da casa deles.

Você pelo Flamengo teve a oportunidade de conquistar dois títulos brasileiros. Um organizado pela CBB e o primeiro NBB. Você destacaria algum jogo marcante dessas suas conquistas pelo clube?

Com certeza, para mim, o jogo 3 da final do NBB 1 foi inesquecível. A série estava empatada em 1×1 e o jogo era em casa. Havíamos perdido a segunda partida, que também foi em casa, e se fôssemos derrotados novamente a equipe de Brasília poderia fechar a série jogando no ginásio deles. Iniciamos o jogo mal e a equipe brasiliense estava muito confiante por conta da vitória na partida anterior. Seguimos mal e, se me lembro bem, perdendo por uma diferença de mais ou menos 15 pontos até o intervalo do jogo. Na volta eu estava no quinteto inicial e consegui encaixar uma boa sequência de cestas com bolas de 3 e 2 pontos, o que acabou trazendo a confiança do time de volta junto com um barulho ensurdecedor da Nação, ali viramos o jogo e seguimos na frente até o final da partida fazendo 2×1 na série. Fico muito feliz em poder falar um pouco de toda essa história que algumas pessoas não conhecem no NBB, que acredito nunca mais ter tido uma final de 5 jogos com um público de 15 mil torcedores em todos eles.

E se tratando de elenco, você teve a oportunidade de conviver com grandes jogadores no dia a dia no Flamengo. Quem você destacaria que acabou virando um grande amigo fora das quadras?

Realmente foram cinco temporadas de grandes elencos com excelentes jogadores. Tenho que destacar dois grandes jogadores e o fisioterapeuta que, na verdade, já eram meus amigos há muitos anos e os considero como família: Marcelo, Duda e Ricardo Machado. Sempre fomos muito próximos e, além deles, os seus pais, Renê e Cristina, sempre deixaram as portas de sua casa abertas pra mim e me deram muito suporte em várias situações, inclusive falando do próprio basquete em si, pois quando comecei a jogar não tinha muita noção de como tudo funcionava e, ali, experiência na modalidade não falta.

A amizade de Fred com os irmãos Duda e Marcelinho Machado.

E recentemente você retornou ao Flamengo em outra função e com o objetivo de orientar a molecada da base. Como surgiu esse convite e como está sendo pra você lidar com esse aprendizado diário na nova função no clube?

Essa oportunidade veio a partir do Gerente de Basquete Rubro-Negro, Diego Jeleilate, que entrou em contato comigo me convidando para exercer uma função que ainda não existe nos clubes do Brasil, a de treinador de habilidades. O Diego já acompanhava meu trabalho na Nine Skills, que é uma empresa especializada em desenvolver as habilidades do basquete criada por mim e, além disso, ele disse que a minha história no clube deu a ele a certeza de fazer o convite. Sou muito grato ao Diego pela oportunidade de poder fazer no Flamengo o que sempre planejei após a carreira como jogador, que é ajudar os atletas da base e do profissional a serem melhores a cada dia. O aprendizado é diário, tenho muita sorte de ter excelentes treinadores ao meu lado como o Gustavinho De Conti, Fernandinho Pereira e Rodrigo “Galego” Leonardo, que sempre trazem conteúdos muito ricos e valiosos para acrescentar ao meu trabalho.

Fred ajudou nos treinamentos da equipe adulta na temporada passada. (Flamengo)

Para encerrar, nesse momento o esporte segue se adaptando as suas atividades em razão da pandemia da Covid-19. Como está sendo pra você orientar os jovens da base do Flamengo através de atividades online? Você acredita que essas atividades online podem acabar virando uma ferramenta continua pós-pandemia?

Na verdade, com os atletas do Flamengo eu só trabalhei no início da quarentena, pois o clube reduziu temporariamente o número de profissionais devido à menor demanda de trabalho, mas espero que em breve tudo volte ao normal e assim poderemos voltar a fazer o que mais amamos. Acredito sim que o treinamento online pode ser uma importante ferramenta mesmo após a pandemia. Estou trabalhando dessa forma com vários atletas na Nine Skills e obtendo ótimos resultados, inclusive um deles estuda e joga em uma faculdade nos EUA e o planejamento é seguirmos com o trabalho online mesmo quando ele voltar para lá. Será até mais fácil e proveitoso executar os treinamentos dessa forma após a pandemia, pois agora a maioria dos atletas não dispõe de muito espaço e recursos para treinar. Com um espaço adequado os ganhos técnicos e físicos serão ainda melhores.

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