“Eu sou feliz demais, quando olho pra trás, só consigo sentir gratidão, pela força que não me deixou desistir e por ter sido escolhido para essa missão…” – essed versos de um samba de Xande de Pilares consegue resumir bem o espirito e o sentimento do preparador físico Vinicius Lima após sua saída do Flamengo. O preparador que chegou ao clube em setembro de 2019, fecha um ciclo agora, mas sem mágoas na bagagem e cheio de aprendizado e evolução tanto no aspecto pessoal e profissional.
O Garrafão Rubro-Negro conversou com exclusividade com Vinicius Lima que destacou momentos da sua trajetória no Flamengo, os amigos que fez dentro do clube e levará para a sua vida inteira e como é a experiencia de ter tido a oportunidade de ter feito parte do dia a dia do basquete seja na base e no adulto.
1-Quando você chegou ao Flamengo você enalteceu muito a oportunidade de estar fazendo parte do basquete rubro-negro como um todo. Olhando para trás e vendo o que foi essa trajetória, quais são as lembranças mais marcantes que ficam para você da sua passagem pelo clube?
“Quando eu cheguei no clube, eu já conhecia a estrutura e a história do clube e ter a oportunidade de fazer parte disso, qualquer profissional gostaria. Comigo não foi diferente. E anos atrás, um dos momentos que mais me marcou no clube foram as relações que eu criei e a oportunidade de disputar grandes títulos, jogos grandes que se mostraram desafiadores e aprender com grandes profissionais. A instituição Flamengo é gigante e atrai profissionais gigantes. Acho que essa é a maior lembrança que vou levar dessa minha passagem pelo clube. E um outro fator marcante foi meu contato com a categoria de base. No adulto você vai ali orientar e instruir, controlar, existe uma troca de aprendizado muito grande. Na categoria de base a entrega é muito maior, pois são jovens, adolescentes que estão em busca de um futuro que utilizam o esporte como ferramenta para se desenvolverem e isso me contagiou de uma maneira que só aumentava meu entusiasmo de trabalhar no clube.”
2-Sabemos que o trabalho da preparação física acaba sendo uma via de mão dupla pois tem você que é o profissional da área e tem o jogador que tem que acreditar no trabalho que está sendo implementado. Nesse período de Flamengo, você conseguiria destacar alguns jogadores que acabaram virando amigos seus e que essa via de mão dupla pode ser percebida por você na essência durante o dia a dia no clube?
“Existem algumas coisas que são imprescindíveis para você trabalhar em um clube esportivo de alta performance, ainda mais em um clube gigante que é o Flamengo. Uma das coisas que eu aprendi ao longo da minha carreira é que a liberdade nossa de trabalhar vai até a liberdade do atleta. É preciso ter uma relação de respeito, porém a gente precisa entender que existe uma hierarquia. E sendo assim prezando pelo respeito pelo atleta, a gente consegue ter uma relação saudável em busca do que é mais importante, o resultado. Dentro do Flamengo existe uma cultura de trabalho, ela foi elaborada por toda a comissão liderada por Diego Jeleilate, gerente, e o técnico principal, Gustavo De Conti e diante a isso, a gente consegue construir uma relação bem harmoniosa entre os atletas. Onde eu e o Bruno Nicolaci conseguimos criar essa via de mão dupla que você destacou na pergunta. E essa relação a gente constrói algumas mais próximas. Eu destaco a minha relação com o Franco Balbi, Rafael Mineiro, Vitor Faverani, Gabriel Jaú, Gui Deodato, com o nosso Deus da raça que é o Olivinha que é um cara gigante e tem um coração enorme e tem outros que não conseguirei lembrar agora. Mas esses que citei vem na minha mente de maneira mais pertinente e mais rápida. Sou muito grato a esses caras e são amizades que levarei pra minha vida inteira.”
3-Quando o Garrafão Rubro-negro em diversos momentos conversou com os jogadores da base do basquete do Flamengo os elogios ao seu trabalho como preparador foram unânimes. Como é pra você ter tido esse reconhecimento desses jovens que acabaram tendo você como um espelho, ou seja, referência dentro da comissão técnica do time?
“ Eu criei uma relação muito próxima com cada atleta da base. O grande diferencial do meu trabalho é respeitar mais uma vez a hierarquia, respeitando a orientação do clube que tem como sempre o objetivo de ganhar para eu poder entender e poder tirar o melhor de cada atleta da base. Quando eu percebia alguma barreira com o meu trabalho, eu me aproximava deles, buscando o máximo de informações para que assim eu pudesse acessá-lo e fazer com que eles fizessem o que eu quisesse. E eles passaram a entender o valor que tem a preparação física. Essa foi a estratégia que eu utilizava e isso acabou gerando uma relação muito próxima, de cuidado, de respeito e reciprocidade. São meninos que vou levar pra minha vida inteira também, foi uma relação mútua, de respeito e muita entrega.”

4-Muitos profissionais e jogadores de basquete que já passaram pelo Flamengo já afirmam que passar pelo clube é diferente seja pela pressão do resultado que o clube acaba por ter e sua estrutura como um todo. Ter tido a oportunidade de trabalhar no Flamengo você pode comprovar que é algo realmente diferente e você tira algum aprendizado para a sua carreira profissional?
“ Vou te responder essa pergunta através de uma teoria que eu desenvolvi após eu trabalhar no Flamengo. Trabalhar no Flamengo é tudo isso que você falou na pergunta, mas na prática é da seguinte forma, o Flamengo te vê no mercado e avalia o que você entrega. Supondo que você entrega numa métrica de avaliação um total de 10 pontos, eles te contratam te avaliando com 12 pontos, pois acreditam que você pode ser ainda melhor. Eles acabam te dando um prazo para isso, por exemplo, 3 meses. Depois desses 3 meses, você acaba entregando 14 pontos, você acha legal pois foi além do que era a expectativa. Mas na próxima reunião, o Flamengo já vai cobrar uma entrega de 16, pois é um clube que vai te exigir cada vez mais. Ele vai exigir sempre mais de todos os profissionais que fazem parte do clube. E isso pra mim é uma honra poder ser exigido no meu máximo e ter a chance de crescer cada vez mais.”
5-Para encerrar, muitos seguidores do Garrafão Rubro-Negro são fãs do seu trabalho e até acompanham as suas lives no seu Instagram, qual recado você deixaria para essas pessoas que tem o sonho de seguir a carreira de preparador físico e trabalhar como o esporte seja na base e na categoria adulta?
“ O meu recado é de tudo que você almeja conquistar na sua vida, nunca desista. Nunca se ache improvável demais a ponto de nunca ser reconhecido por alguém. Essa é a mensagem mais importante a todos os atletas, a todos os profissionais e aqueles que estão se formando e almejam se tornarem preparadores físicos. O Flamengo é um clube gigante, eu jamais poderia imaginar que teria a chance de ter passado por esse clube, e agora estou aqui, sou um profissional muito melhor, muito mais capacitado a qualquer tipo de desafio e pressão.”

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